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Tech & Comportamento

Pais e games: quando jogar junto vira tempo de qualidade

Dividir o controle pode aproximar gerações, abrir conversas e ensinar cooperação — desde que haja presença, limites e escolhas adequadas.

Há uma geração de pais que não precisa perguntar onde fica o botão de ligar. Ela cresceu entre fliperamas, locadoras, cartuchos e discos e agora divide o controle com os filhos. No Dia dos Pais, a partida em dupla pode ser mais do que passatempo: pode funcionar como espaço de conversa, cooperação e memória.

Do “larga esse videogame” ao “minha vez”

O videogame deixou de ser um território exclusivamente infantil há muito tempo. Adultos que jogavam nas décadas de 1980, 1990 e 2000 chegaram à paternidade levando consigo repertórios, personagens e rituais. Em muitas casas, apresentar um jogo antigo ao filho é parecido com mostrar uma música ou um filme que marcou a juventude.

Uma pesquisa brasileira publicada na revista PSI UNISC ouviu pais e mães que jogam videogame com os filhos. O estudo descreve o jogo compartilhado como um ponto de encontro entre gerações e observa que a experiência prática dos adultos com games influencia as decisões sobre acesso, escolhas e limites.

Isso não significa que toda partida automaticamente fortalece vínculos. A diferença está na presença. Jogar junto envolve conversar sobre o que aparece na tela, alternar o controle, lidar com derrota, celebrar uma descoberta e perceber quando a diversão virou irritação.

Cooperar muda a conversa

Jogos cooperativos oferecem um exercício simples: para avançar, alguém precisa ouvir o outro. Resolver um quebra-cabeça, combinar movimentos ou construir um mundo digital cria oportunidades para negociar regras e aceitar ritmos diferentes.

O ganho não depende de vencer. Um pai pouco habilidoso pode permitir que a criança ensine; um filho frustrado pode aprender que recomeçar faz parte. Essa troca muda momentaneamente quem ocupa o lugar de especialista e pode abrir conversas que não surgiriam numa pergunta direta sobre escola ou rotina.

Presença também é escolher e limitar

O Guia sobre Usos de Dispositivos Digitais, do Governo Federal, recomenda mediação familiar e lembra que nem toda tela nem todo uso são iguais. Para crianças de 6 a 11 anos, o documento orienta priorizar jogos que permitam interação familiar, favoreçam aprendizados, não dependam de pagamentos e não apresentem violência.

Também é importante conferir a Classificação Indicativa, entender compras dentro do jogo, desativar conversas com desconhecidos quando necessário e combinar duração e horário antes de começar. Para adolescentes, o guia oficial recomenda limites de duas a três horas diárias para telas e jogos e orienta não atravessar a noite jogando.

O ponto não é transformar o pai em fiscal permanente nem vender o videogame como solução educativa. É conhecer o ambiente em que a criança está, participar dele e mostrar que o mesmo adulto que estabelece limites também pode sentar ao lado e jogar.

Uma partida para o Dia dos Pais

Para marcar a data, vale escolher um jogo acessível a todos, de preferência cooperativo ou com partidas curtas. Jogos de corrida, plataforma, esporte, dança e construção costumam permitir entrada rápida. O importante é respeitar a idade indicada e evitar que a celebração vire disputa por desempenho.

Também pode funcionar ao contrário: o filho escolhe um jogo atual para apresentar e o pai mostra um clássico que conhece. Entre gráficos de épocas diferentes, a conversa revela o que cada geração entende por desafio, diversão e companhia.

No fim, o melhor presente pode não ser um console novo. Pode ser a disponibilidade para ocupar o mesmo sofá, dividir o controle e prestar atenção no que acontece dentro e fora da tela.

Fontes consultadas: estudo Entre Pais e Filhos: Encontros com a Cultura dos Videogames, publicado pela PSI UNISC; Guia sobre Usos de Dispositivos Digitais e Classificação Indicativa, do Governo Federal. Consulta em 8 de agosto de 2026.

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